Brasil produz porco clonado com foco em doação de órgãos para o SUS
Marco científico pode abrir caminho para uso de órgãos suínos em humanos no futuro, segundo pesquisadores.
Um avanço inédito na ciência brasileira foi alcançado no fim de março com o nascimento do primeiro porco clonado do país e da América Latina. O resultado, obtido por pesquisadores ligados à Universidade de São Paulo (USP), representa um passo importante em um projeto que busca viabilizar o uso de órgãos de suínos em transplantes humanos, área conhecida como xenotransplante. As informações foram divulgadas pela CNN.
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O animal nasceu em um laboratório localizado em Piracicaba, no interior paulista, após anos de pesquisas e tentativas. O feito é considerado estratégico para o desenvolvimento de suínos geneticamente modificados, capazes de fornecer órgãos compatíveis com o organismo humano, reduzindo o risco de rejeição.
A iniciativa reúne especialistas de diferentes áreas, como medicina, genética e imunologia, e teve início em 2019 por meio de parcerias entre instituições de pesquisa e a iniciativa privada. Desde então, o projeto ganhou força com a criação de um centro específico voltado ao desenvolvimento dessa tecnologia.
Segundo os pesquisadores, a clonagem de porcos é uma das etapas mais complexas do processo, especialmente porque essa espécie apresenta desafios biológicos maiores do que outros animais já clonados no Brasil, como bovinos e equinos. Por isso, o sucesso recente é visto como um avanço significativo na trajetória do projeto.
A expectativa é que, no futuro, órgãos como rins, coração, córneas e até pele possam ser utilizados em transplantes, ajudando a suprir a alta demanda existente no país. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) responde pela grande maioria dos transplantes realizados no Brasil, o que reforça a relevância da pesquisa para a saúde pública.
Ainda em fase de desenvolvimento, a tecnologia pode representar uma alternativa promissora para reduzir filas de espera por transplantes e ampliar o acesso a tratamentos, embora novos estudos e etapas sejam necessários antes de sua aplicação em humanos.
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